Novo rio atmosférico ameaça Portugal com chuva intensa e risco de cheias: o que está em causa?

Os rios atmosféricos são faixas estreitas e alongadas de vapor de água na atmosfera, funcionando como “autoestradas” que transportam humidade das regiões tropicais até latitudes médias

Francisco Laranjeira
Fevereiro 9, 2026
6:15

O mau tempo tem assolado Portugal nos últimos 10 dias. E, para esta semana, o que esperar?

Portugal enfrenta, a partir desta terça-feira a chegada de um novo e poderoso rio atmosférico, que poderá provocar precipitação persistente e acumulados significativos em várias regiões do país. O fenómeno surge após os estragos provocados pela tempestade Leonardo e a aproximação da tempestade Marta, prevista para sábado.

Nos últimos dias, a tempestade Leonardo aumentou de forma vertiginosa os caudais dos principais rios, incluindo o Sado, Guadiana, Tejo, Mondego e Douro, provocando cheias em localidades como Alcácer do Sal. O fenómeno foi intensificado por um rio atmosférico que transportou grandes quantidades de humidade, tornando a precipitação mais persistente e eficiente.

O que são rios atmosféricos?

Os rios atmosféricos são faixas estreitas e alongadas de vapor de água na atmosfera, funcionando como “autoestradas” que transportam humidade das regiões tropicais até latitudes médias. Quando interagem com frentes frias ou massas de ar instáveis, podem gerar chuvas fortes e prolongadas.

O novo rio atmosférico será canalizado pelo anticiclone dos Açores e atingirá Portugal continental, passando primeiro pelos Açores, transportando ar ameno e muito húmido. O pico de precipitação está previsto para terça e quarta-feira, dias 10 e 11 de fevereiro, aumentando o risco de cheias, inundações, deslizamentos de terra e derrocadas.

Risco elevado devido aos solos saturados

Os solos, já saturados pelas chuvas recentes, não conseguem absorver mais água, mantendo o risco de cheias e deslizamentos elevado. O efeito orográfico, especialmente na Barreira de Condensação e no sistema Montejunto-Estrela, poderá intensificar a precipitação, tornando-a mais eficiente em regiões montanhosas.

Até quarta-feira, os acumulados de chuva podem atingir 200 mm em grande parte do Norte e Centro do país, com picos de 250 a 300 mm em zonas montanhosas. No restante território, prevê-se precipitação significativa, prolongando os impactos de Leonardo e Marta.

Recomendações das autoridades

O site ‘Tempo.pt’ alerta para a necessidade de acompanhar os avisos meteorológicos e seguir as instruções das autoridades. Apesar de eventuais períodos de abrandamento da chuva, a situação mantém-se crítica, com rios em transbordo e barragens no limite. A população deve permanecer atenta ao risco de derrocadas e deslizamentos, especialmente nas regiões montanhosas.

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